segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Capítulo 118


- O que ? – Eu fui a única que consegui falar naquele momento.
- A moça está grávida de dois meses e terá que tomar muitos cuidados de agora em diante, principalmente por causa de sua idade também. – Suspirei, ainda não estava crendo. – Vou deixá-los a sós e se não se importar, mãe. Depois pode vir conversar comigo ?
- Claro que sim. – Sorria amarelo para ele, que saiu.
- Milla...Me diz que eu não escutei isso. – Luan falava e eu temia.
- Pai, eu não sei como aconteceu.
- Ah, mas você sabe sim !
- Me desculpa ? – Ela chorava.
- Aqui não é hora pra isso, em casa conversamos. – Eu falei.
- E vamos conversar mesmo, Milla. – Luan a olhava e o olhar da minha filha era de receio.
Chamei Luan para comer, enquanto eu conversava com o médico, não queria o deixar sozinho com ela, ainda não era o momento.
Conversei com o doutor e ele me passou todos os cuidados para tomar, por Milla ser apenas uma adolescente e sua gravidez de risco.
Fomos embora quando ela teve alta e no caminho, dentro do carro, o clima era tenso.
- Agora já pode falar. – Mal entramos em casa e Luan já falou.
- Calma, Luan. Ela acabou de sair de um hospital.
- Calma nada, Daniela. Como ela foi engravidar ? Ainda é uma criança.
- Eu não sou criança, pai e ... Aconteceu. – Ela chorava e se aproximou para me abraçar.
- É criança sim e não deveria está acontecendo essas coisas na sua vida.
- Me desculpem ? Eu não queria...Eu juro!
- Quando foi isso, minha filha?  - Perguntei.
- Na festa da Lívia.
- O que ? Naquela bendita festa ?
- Luan...
- Daniela, me deixa ! Eu quero ver o que você vai fazer agora, Milla. Você não saia para esses tipos de festas, foi só eu confiar um pouco e você me apronta, nunca mais eu confio e agora, não tem mais festas mesmo, porque você vai ficar em casa, cuidando desse bebê e eu não vou deixar sua mãe encostar a mão nele pra te ajudar ! – Ela já chorava de soluçar em meu ombro.
- Vem. – Sai a puxando até seu quarto e a deitei em sua cama.
- Mãe...
- Não precisa dizer nada, eu sei que você errou, todos erram e eu também já errei muito porque não sou perfeita. O seu pai está de cabeça quente, porque nenhum pai quer ver sua filhinha grávida, principalmente adolescente.
- Eu não queria, juro ! Foi tudo rápido demais, quando eu vi já estava no quarto com o menino, eu tirei minha virgindade com ele e me arrependi, nem pensei em camisinha, eu nem entendo muito disso.
- Tudo bem, filha. Eu to aqui com você !
- E eu confesso que ainda estava sentindo um pouco de raiva pelos acontecimentos, e principalmente pelo meu pai ter me dado aquela bronca toda, quando eu tava sofrendo. Eu não suporto isso !
- Eu sei que não, te conheço...
- Mas hoje, ele ta certo ! Eu não devia ter feito isso, eu não devia ter colocado mais esse peso nas costas de vocês, já que nem sou independente.
- Meu amor, eu estou aqui com você e seu pai também, apesar de estar nervoso agora. Seu irmão também vai te dar bronca, mas também vai te apoiar e ao contrário do que seu pai disse, eu vou te ajudar em tudo que você quiser, em tudo que for preciso ! – Ela sorriu e me abraçou muito apertado, desde que tinha descoberto que era adotada que não me abraçava daquele jeito. – Não conta nada pra ele, segredo nosso ! – Sussurrei enquanto ela ainda sorria.

Capítulo 117


( ... )

Depois de algumas semanas, Milla tinha voltando a falar o necessário com todos, ela já comia a mesa conosco também, o que já estava me aliviando, era questão de tempo para ela voltar completamente ao normal, sua fase adolescente também não estava ajudando.
- Pai, posso ir a festa da Lívia hoje ? – Ela apareceu da porta da cozinha perguntando.
Ainda estava meio brava com a “bronca” que Luan tinha dado quando teve a idéia maluca de ir embora, mas já falava com ele, ela mesmo me contou e eu fiquei feliz, por ter me contado o que estava sentindo, tinha até chorado.
- A onde vai ser? – Luan via algo para comer na geladeira.
- Na casa dela, é aqui no condomínio mesmo.
- Que horas ?
- Às oito ! – Ela revirou os olhos.
- Vai voltar que horas? – Luan a olhou.
- Não sei, pai...Por favor ! Todos vão, é aqui pertinho. – Ela implorava.
Luan me olhou e eu assenti.
- Tudo bem , te levo e depois te busco.
- Deixa eu ir com as meninas?
- Eu te levo ! – Ele disse firme e Milla saiu bufando.
A noite como o combinado, Luan foi levá-la a casa da amiga e disse que antes das duas a buscava, o que fez ela bufar como sempre.
- A Milla reclama demais, não quer voltar antes das duas da manhã? Daqui a pouco eu vou meia noite. – Ri, enquanto entrávamos em casa.
- Sua mãe uma vez me disse que você era assim também.
- Eu ? – Ele ergueu uma sobrancelha, enquanto me olhava.
- Você ! – Coloquei as mãos na cintura e nós rimos.
O abracei pelo pescoço e nos beijamos. Fomos até as escadas nos beijando e depois de pequenas “dificuldades” chegamos até o quarto. Ele me deitou na cama e veio para cima de mim, já sem camisa.
- Até que enfim uma chance ! – Ri.
- Amor...Temos filha adolescente e isso é complicado. – Luan fez careta, me fazendo ri mais. – Quando ela se casar, sair de casa...
- Nem termina, prefiro ficar na demora mesmo. – Nos beijamos entre risos.
Ele tirou minha blusa de alcinha com cuidado, beijava meu ombro e barriga devagar, deslizava suas mãos pelo meu corpo com calma e delicadeza.
Nos deitamos agarrados assim que cansamos.
- Você está mais...Romântico hoje ! – Sorri e Luan riu.
- Por acaso, eu não sou ? – Ele se fazia de bravo.
- É amor, mas as vezes esquece e hoje você lembrou direitinho.
- Como você é boba.
- Como eu te amo. – Me apoiei em meus braços para olhá-lo.
- Eu que amo...Linda ! – Ele passava suas mãos pelo meu rosto, enquanto eu sorria com meus olhos fechados, sentindo seus toques.
- Nem estou mais tão linda assim. – Fiz graça e ele riu.
- Tem razão... – Abri meus olhos e levantei uma sobrancelha. – (risos) Está muito mais !
- Seu puxa saco ! Eu sei que estou piorando.
- Não está, ainda continua...Gostosa ! – Bati em seu braço e ele gargalhou. – E não é? Eu também...
- Convencido, você... – Ele me beijou e passamos mais algumas horas ali, vimos um filme também e comemos pipoca.
Antes das duas, como o combinado, ele foi buscar nossa filha na tal festa.
- Que pontual você ! – Zombei, ainda deitada na cama, apenas de lingerie. 
Ele revirou os olhos.
Luan foi sozinho a buscar e eu aproveitei para tomar um banho e me trocar, peguei as coisas sujas que estavam no quarto e desci para colocá-las na cozinha.
- A noite foi boa, em ! – Ouvi a voz da Milla e me virei para olhá-la. – Rolou até pipoquinha.
- Vai dormir, vai Milla. – Luan disse e ela subiu rindo.
O julgamento foi feito e ainda tive que olhar na cara daquele homem, que não estava nada boa. 
Ganhamos a causa e ele teria que pagar um bom dinheiro para nós e fazer serviços comunitários, mas Luan achou melhor ele pagar o valor do dinheiro para uma entidade carente e o Juiz concordou. 
Seu advogado nos surpreendeu com alguns exames dele nas mãos, ele tinha uma doença, problemas mentais e isso só pirou sua situação, o juiz pediu sua internação com urgência.


( Meses depois )

E lá estávamos nós mais uma vez em um hospital com minha filha que passava mal a dias e estava no soro mais uma vez.
- Milla, o que você comeu dessa vez  ? Eu já estou preocupada.
- Não comi nada demais, mãe.
- Meu Deus !
- Calma, amor. É só esse calor. – Luan dizia.
Suspirei e ficamos ali no quarto com ela, esperando o médico chegar.
- Já estou com os resultados dos exames. – Ele entrou no quarto.
- Que bom ! Já sabe o que é ?
- Já e dessa vez não é só uma desidratação.
- Tem mais alguma coisa?
- Tem sim e vai exigir muitos cuidados da parte de todos, principalmente nesse calor que está fazendo.
- O que é, doutor? – Milla, falava impaciente.
- Você está grávida, mocinha.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Capítulo 116


- O que ? – Perguntei baixo.
- Eu vou embora ! Todos já sabem, não era isso que queriam ? Publicidade por adotarem um bebezinho indefeso ? Conseguiram ! – Ela falava grossa.
- Dá onde você tirou isso, Milla ? – Minha voz quase não saia.
- Eu sei que é isso, não tenho mais nada o que fazer nessa casa. Não pertenço a essa família ! – Agora ela chorava e eu também não me segurei.
- Você é nossa filha e nada vai mudar, você é dessa casa...
- Não sou ! Eu não sou nada de vocês. – Doeu quase como uma facada aquelas palavras.
- Para com isso agora, Milla. Você não vai a lugar nenhum. – Luan se levantou, a olhava sério.
- Vou sim, você não me manda. – Ela falava mandona como sempre, o encarando.
Desde pequena era assim, diferente de Pedro que morria de medo do pai e voltava a ficar quieto quando fazia bagunça e Luan brigava, ela não parava de primeiro e nem demonstrava medo.
- Eu mando em você sim. Eu sou o seu pai !
- Não é ! Você não tem o meu sangue.
- Eu posso não ter o seu sangue, mas te criei, te dei amor, te dei tudo que queria, te registrei. Isso basta !
- Não basta, porque mentiu pra mim a vida toda !
- Não mentimos pra você, só omitimos a verdade pra não te prejudicar, até a mídia já entendeu isso.
- Que bom que entenderam, assim você fica mais tranqüilo, não é Luan Santana ? Agora deixa eu ir, porque já fiz meu papel nessa casa, de fazer vocês bancarem os bonzinhos. – Ela deu passos até a porta e Luan entrou em sua frente. 
Não falava mais nada por falta de forças, queria saber o que ele iria fazer, iria deixar.
- Volta agora para o seu quarto ! – Ele falava duro.
- Não...Saí da minha frente.
- Ou você volta agora pro seu quarto ou você vai levar uns tapas, que eu nunca te dei.
- Eu te denuncio, porque você não é meu pai e não pode me bater.
- Você quer pagar pra ver?  - Ele a encarou com uma sobrancelha erguida. – Sobe, que eu to mandando! – Vi o quanto Milla ficou irritada com aquela frase, odiava ser mandada.
Luan deu um passo para frente e ela para trás, vi que iria o obedecer. 
Mesmo de cara feia, subiu as escadas pisando firme e arrastando sua mochila. Me joguei no sofá e Luan se sentou do meu lado.
- Será que isso não vai acabar nunca ? – Eu falava, as lágrimas já desciam.
- Vai, amor. Ela vai ceder, confia em mim.
- Eu confio ! Eu pensei que ela iria ir embora agora.
- Eu nunca iria deixar, somos os pais dela, ela querendo ou não, e ainda é de menor. – Nos abraçamos apertado.
- Vai dar tudo certo ! – Sussurrei mais pra mim, do que pra ele.
Depois daquele dia colocamos mais a cabeça no lugar e decidimos ligar para um advogado, denunciamos o tal Michel, que espalhou uma notícia tão pessoal para a mídia.
Ele nos ligou no mesmo dia e disse que já era causa ganha, o denunciei também por ameaças e o advogado já tinha conseguido um julgamento para o outro mês mesmo.
Tive uma idéia naquela semana também e pedi para que Luan começasse a rever a carreira de cantora de Milla, queria alegrar a minha filha, fazer com que voltasse ao normal.
Luan concordou com a idéia de levá-la até um estúdio de um amigo, com muito custo, dizia ele que ela não estava merecendo, mas o convenci.
E com mais custo ainda, consegui convencer Milla a sair do quarto e aceitar nossa “proposta”. Acabou que ela quase morreu de felicidade depois que voltamos do estúdio, mas se lembrava que ainda estava “brava” e fechava a cara de novo.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Capítulo 115


- Luan ! – Gritei, depois de alguns minutos.
- Oi ? – Ele desceu as escadas coçando os olhos, tinha acabado de acordar.
- Olha isso ! – Virei o computador pra ele, que se aproximou mais rápido.
- Não é possível ! – Suas palavras foram baixas e lentas.
- Eu não acredito ! – Falei aflita também. – E agora?
- Aquele desgraçado não podia ter feito isso, será que já não bastava o estrago que ele fez aqui em casa? – Luan bufou e se sentou ao meu lado, com as mãos no rosto.
Comecei a chorar sem parar e Luan me abraçou , já estava um pouco mais calmo.
Ligou para todos depois de um tempo e eu pedi para que Pedro fosse até ali, estava completamente perdida e Luan não era diferente.
- O que houve, mãe ? – Escutei a voz do meu filho.
Estávamos na cozinha.
- Filho ! Já está em todos os sites, que a Milla é adotada.
- O que ? – O abracei. – E isso é verdade, não é ? Sempre desconfiei, mas nunca tive coragem de perguntar. Não me lembro bem...
- É verdade, mas isso não importa, ela é e sempre foi nossa filha, assim como você.
- Claro que sim, mãe !
- Só espero que ela entenda. – Suspirei, ainda abraçada ao meu filho.
- Ela vai entender. Quando esfriar a cabeça conversem com ela e expliquem as coisas...
- Já fizemos isso naquele dia. – Luan disse.
- Mas ela vai entender, porque vai está com a cabeça fria. A Bruna já conversou com ela e eu também vou fazer isso ...Tudo vai se resolver e nossa família vai voltar ao normal.
- Tomara, meu amor, só espero que essa mídia...
- Não liguem pra eles. – Ele me interrompeu e eu assenti com a cabeça.
Depois de conversarmos com todos que foram para nossa casa, inclusive o empresário e a assessora de Luan, já estava tudo decidido.
- Então vai ser isso mesmo... – Luan dizia.
- Já pode começar se quiser. – Rober, que ainda estava ali com Laura, o entregou o computador.
Luan suspirou antes de pegá-lo.
“ Amores, vim aqui esclarecer os boatos ! Primeiro quero dizer que é tudo verdade mesmo, mas que não muda em nada minha relação e de Daniela com nossa filha.
Ela foi adotada sim e foi uma escolha nossa não falar nada para ninguém, só que vazou agora, depois de quinze anos e já sabemos até por quem, mas não quero entrar em detalhes. Só que quero que me entendam e eu não fiz por mal, foi apenas uma escolha, que agora todos já sabem. “
Li aquilo depois que postou, abraçada a Laura, que estava tão triste quanto eu, com a mídia criticando e com o afastamento da minha filha, que só falava um pouco com Pedro e Bruna, nem seus avós ela queria papo, só trancada no quarto.
- Tenho certeza que vão entender. – Minha amiga, falava.
- Eu também tenho ! – Disse firme e realmente as fãs estavam entendendo.
Depois de alguns dias, o assunto ainda era capa de revista e destaque de sites, mas agora, estavam elogiando nossa atitude, doidos. 
Diziam que foi um gesto bonito encontrar uma criança praticamente no lixo e pegá-la para criar e sem querer que todos soubessem por medo de “excluírem” o bebê.
Mas o que me preocupava de verdade era minha filha, que continuava na mesma, Pedro tinha que ir para minha casa todos os dias só para deixar uma bandeja de comida em seu quarto, já que ela só aceitava se fosse por ele, as vezes Bruna ia também, mas estava atarefada os últimos tempos. 
As fãs já entendiam tudo perfeitamente e até homenagem nas redes sócias já faziam para minha filha, dizendo que ela ainda continuava nossa filha biológica como sempre e nada mudaria.
Eu e Luan estávamos vendo TV em um dia a tarde, estava calor e nada para fazer em casa. Escutamos barulho de passos na escada e quando olhamos, Milla descia as escadas. Um sorriso se abriu no meu rosto, ela devia já está entendendo e esfriando a cabeça, como Pedro disse.
- Filha...
- Eu já decidi e só vou avisar...Eu vou embora daqui ! – Meu sorriso se desfez com sua frase e minha expressão mudou quando vi uma mochila que carregava.

Capítulo 114


- Isso é verdade ? – Ela perguntava baixinho, enquanto suas lágrimas caiam.
- Eu posso explicar...
- Nós vamos te explicar ! – Luan também disse.
- Como podem esconder isso de mim ? – Ela chorava mais.
Michel saiu rindo de nós.
- Vem aqui... – Milla se aproximou e se sentou no sofá, nos sentamos ao seu lado. – Nos desculpa?
- Vocês não poderiam ter escondido isso de mim, como podem ? A minha vida toda foi uma farsa.
- Não...Nunca mais fale isso, nós não mentimos em nada pra você. Somos os seus pais sim ! – Eu disse firme, segurava as lágrimas.
- Não são...
- Somos ! Nós te criamos. – Luan disse.
- Mas por que não me contaram antes?
- Não queríamos te magoar...Sabíamos que ficaria assim. – Suspirei.
- Eu nunca mais vou confiar em vocês.
- Não fala assim...
- Mas é verdade ! Mentiram pra mim a vida toda ...
- Não mentimos, te criamos com todo o amor que tivemos.
- Não...Se me amassem tinham falado antes. Eu odeio vocês! – Ela se levantou e dessa vez minhas lágrimas não agüentaram.
- Não fala assim comigo e principalmente com sua mãe, Milla. Nós somos seus pais sim e nos respeite.
- Já disse que não são...Poderiam ter me deixado no, sei lá...Orfanato mesmo que me encontraram.
- Não te pegamos em um orfanato. Se você quiser saber a história, se sente e fique calma, que vai nos entender. – Luan ainda falava.
- Amor...Não seja duro com ela, tem razão ! – Eu disse.
- Não tem razão ! Posso está sendo um pouco duro sim, mas ela tem que entender que tudo que fizemos foi para o seu bem, tudo que enfrentamos no passado foi para o seu bem e que não foi nada fácil. Não pode fazer isso agora ! – Então Milla se sentou novamente, Luan começou a contar sua história desde o começo, ela chorava de um lado e eu do outro, dessa vez ele parecia mais calmo e quase chorava também. – Agora entende tudo ? Entende tudo que sua mãe fez por você ? Entende tudo que ela enfrentou ? Ainda digo que enfrentou coisas maiores que eu.
- Mesmo assim não tinham o direito de mentir e me iludir esse tempo inteiro, que eu tinha pais.
- Você tem, filha ! – Eu insistia, em vão.
- Juro que eu tento, Luan, mas não consigo entender ! – Ela falava, se levantando novamente.
- Eu sou o seu pai... – Luan falava baixo.
- Você nem me queria !
- Não fala isso, Milla. Sempre te quisemos ! – Eu disse.
- Pela história que ele me contou, não me queria no começo ... E agora ainda exige ser chamado de pai ? – Luan respirou fundo e colocou o rosto entre as mãos.
Bruna se aproximou com Pedro e nos olhavam sem entender.
- Tia...Bruna, nem sei como te chamo mais...Me leva pra casa?
- O que aconteceu aqui?
- Pode levá-la, Bruna. Depois eu te falo.
- Eu descobri que a minha vida é uma farsa, com certeza você sabe disso.
- Farsa?
- Sabe do que estou falando... – Bruna nos olhou.
- Vamos comigo, então. – Elas saíram dali e eu desabei mais uma vez, com o rosto entre as mãos, assim como Luan permanecia.
Senti braços em torno de mim e me aconcheguei naquele abraço.
- Calma, mãe ! Seja o que for, eu sempre estarei aqui com a senhora ! – Acariciei o rosto do meu filho e voltei a me deitar em seu peito.
Fomos para casa depois e Milla não saiu mais do seu quarto, como o previsto.
E no outro dia quando acordei e liguei meu computador, sem nada para fazer e para me distrair, já que estava bem triste. Vi a noticia que já estava em todos os sites de fofocas, que Milla era adotada, que minha viagem quando dizia “grávida” dela, era uma farsa e só para disfarçar. Não sabia o que fazer, as redes sociais só falavam nisso, era muito tumulto.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Capítulo 113


{ ... }

Depois daquele dia me esbarrei com o tal homem, ele estava em frente à escola da Milla e eu sai quase que correndo de perto dele, confesso que estava com medo. Contei para Luan mais uma vez, que já estava ficando irritado com aquela história toda e aquele homem, me perseguindo.
Fomos convidados para uma festa no final da semana, um jantar a noite na casa de um dos amigos compositores do Luan. Fomos com Milla e encontramos Pedro e sua esposa por lá, que já estava com a barriga imensa. Nos sentamos e começamos a curtir aquela noite, que parecia agradável, até eu ver um rosto conhecido e meu sorriso se desfazer completamente.
- Amor...Amor ? – Saí do transe e olhei para Luan com olhos arregalados, ele me olhava sem entender. – O que foi?
- Você conhece todos que estão aqui ?
- Todos...Todos, não ! Por que ?
- Está vendo aquele homem ? – Apontei para o rapaz, que conversava com um amigo do Luan.
- Estou.
- É ele...Ele que me ameaça, que está tirando o meu sono.
- Você tem certeza? – Ele analisava o homem.
- Tenho ! O que ele está fazendo aqui ? – Eu estava apavorada.
- Espera, vou procurar saber. – Luan se levantou com seu copo na mão e se juntou novamente com seus amigos.
Não conseguia mais prestar a atenção em que a minha nora falava, que aliás era um amor de pessoa. Vi Luan me chamar de longe e saí dali quando Pedro se aproximou, o acompanhei até a sala da casa.
- Ele é amigo do Dudu...
- Sério? – Ele confirmou com a cabeça. – Meu Deus !
- Mas não de muito tempo, deve ter se aproximado só por causa de você. Ele é empresário e muito rico. – Ele continuou.
- Ele me disse que não precisava de dinheiro mesmo...
- E isso é um problema, porque... – Ele coçou a nuca. – Sei que não é certo, mas poderíamos dar alguma coisa pra ele.
 Ia falar quando o vi entrar na sala, e Luan olhou para trás.
- Olha só quem está aqui...Que honra freqüentar os mesmos lugares que você, Dani. – Ele tinha um sorriso gigante no rosto, o que me dava medo e raiva ao mesmo tempo.
- O que faz aqui ? Para de me seguir !
- Assim você me ofende, não estou te seguindo. Sou um dos patrocinadores de um produtor musical, que me convidou para o evento.
- Me diz logo o que você quer ! – Me irritei.
- Eu já disse o que eu quero, Daniela e nunca vou desistir disso. – Ele se aproximava de mim. – Eu quero você ! – Parecia não se importar com a presença do meu marido ali.
Luan tossiu e o vi se aproximar também.
- Você quer o que ? – Finalmente ele o olhou.
- Olá, cantor. Que honra o conhecer também, nem percebi sua presença aqui. Sua esposa ofusca o brilho de qualquer um , não é ? Até o seu !
- Pois é, pena que ela é minha, como você mesmo disse.
- Pena mesmo, mas...Não por muito tempo.
- E por que ?
- Se depender de mim...
- Ainda bem que não depende ! – Eles se encaravam e eu não sabia o que fazer.
- Você é quem pensa. Pelo que vejo são bem unidos mesmo, e você já sabe o que se passa, não é?
- Somos muito unidos e não tem segredo entre nós. E o que você está fazendo com a minha mulher é uma covardia.
- (risos) Eu não ligo para o que pensa sobre mim. Eu posso muito bem abrir a boca e soltar a noticia mais bombástica que o Brasil já soube sobre o cantorzinho.
- Você não me assusta ! – Luan falava pausadamente.
- Pois devia, porque nós sabemos o quanto isso vai ter revolução. Você já decidiu o que fazer, Dani ? – Ele se virou para mim, dei um passo para trás.
- Eu não vou fazer nada. – Falei decidida.
- Não ? Sinto muito, pois então, você vai se ferrar. – Ele se aproximava mais de mim, até segurar meu braço. – Ou você faz o que eu mando, ou então...
- Ou então, o que ? – Só senti Luan me empurrando bruscamente pra trás e um soco atingir o rosto do homem.
- Para...Luan, para ! – Eu não sabia o que fazer a sorte que a música estava alta.
Vi um amigo de Luan se aproximar e o chamei desesperada, ele conseguiu separar a briga sozinho, por sorte.
- O que aconteceu aqui ? Você tá doido, Michel ? – Ele se referia ao homem, parecia o conhecer também.
- Estou doido por que, Bruno ? Não posso brigar com o cantorzinho ? Ele é de ouro por um acaso ? – Eu abraçava Luan forte, enquanto via a raiva nos olhos dos dois transbordar.
- Eu vou pegar uma água e gelo pra vocês, não se estranhem de novo. – O rapaz saiu e eu fui para frente do Luan.
- Não vou mais surrar seu marido. – Ele riu de leve e passou a mão no canto da boca machucada. Senti Luan dar um passo e travei no chão.
- Foi bem você que me surrou mesmo... – Ele rebateu.
- Eu estou perdendo a minha paciência e agora vou ser bem claro. Ou você larga esse otário pra ficar comigo, Daniela, ou o Brasil todo vai saber que a filhinha amada de vocês é adotada!- Escutamos o barulho de algo caindo no chão e meus olhos primeiro foram no copo que estava quebrado e depois para Milla, que nos olhava sem acreditar.
- Filha...


"Comenteeem, reta final. Já estou vendo a próxima, como sou eficiente kkkkkkkkkk Só n sei quando começo a postar, depois que acabar essa, vamos ver ! "

Capítulo 112


 - O que ? – Quase gritei.
Saí de perto daquele homem às pressas, estava muito assustada com todo aquele “amor” que ele dizia sentir por mim e principalmente, por saber o nosso maior segredo, que até então só eu, Luan, Bruna, seus pais, o meu pai, Ânderson e Arleyde que sabiam. Lógico que as outras pessoas envolvidas na adoção e tudo mais também.
Tomei um banho bem demorado, quando cheguei em casa e pedi para que Dulce, a empregada nova que tinha entrado dias antes, ligasse para Luan e pedisse ele para ir buscar Milla na escola, ele estava voltando de sua rotina. Minha cabeça doía e com muito custo eu peguei no sono o dia todo, só acordei com vozes vindo do corredor e a porta do meu quarto se abrindo.
- Mãe...Não disse que iria me buscar hoje ? – Minha filha foi em minha direção, com as mãos na cintura, enquanto Luan fechava a porta atrás de si.
- Desculpa, meu amor. Estava com dor de cabeça ! – Fiz careta e olhei para Luan, que me olhava desconfiado.
- Entendo...Já melhorou ? – Ela se sentou ao meu lado.
- Está passando ! – Sorri amarelo.
- Fiquei preocupado, amor. – Luan também se aproximou.
- Não foi nada ... – Ele me encarava sem acreditar muito, mas assentiu com a cabeça sem questionar.
- Vou fazer uma leitura de um livro que peguei na escola... – Milla se levantou.
- Tudo bem.
- Amo vocês ! – Ela beijou cada um e sorrimos.
Era uma menina meiga, muito carinhosa e sempre fazia questão de dizer que nos amava, onde estivéssemos e com quem estivéssemos, não tinha vergonha.
Ficamos olhando a porta se fechar.
- Pode falar o que houve, Daniela. – Luan, cruzava os braços. Suspirei e me sentei.
- Aconteceu uma coisa muito ... Estranha hoje.
- O que foi ? – Ele prestava atenção.
Contei tudo que se passou comigo no shopping, tudo que aquele homem tinha me falado. Com anos de casados não existia mentiras entre nós.
- Que canalha...Ele quis que você saísse com ele ? – Ele concluiu no final.
- Quis...Mas claro que eu não fui.
- Fez bem !
- O que vamos fazer?
- Eu não sei...
- Luan, eu fico com dor de cabeça só de pensar que mais alguém sabe disso. – Fechei os olhos com força.
- Você não viu ninguém passar naquele dia ?
- Não, eu não vi ninguém. Eu não sei como ele pode me seguir tanto, sendo que nunca o vi.
- Isso é um problema !
- Muito, ele parece um psicopata.
- Calma...Não vai acontecer nada com você e com a Milla. – Ele me abraçou e eu suspirei outra vez. Aquilo só podia ser um pesadelo.
Deitamos na cama e ficamos assim aquela tarde inteira, à noite tomamos um banho juntos e chamamos Milla para jantar. Ela estava alegre e saltitante como de costume e sempre que olhava para seu rosto, lembrava do pesadelo que estava passando.